SP: HU restringe atendimento a adultos e cria 'autotriagem'

15/12/2017 | 14:18

Paciente é quem avalia gravidade do próprio caso e tem de convencer segurança da avaliação antes de passar pelo médico. Hospital Universitário vive crise com falta de verba e funcionários. 
O setor de triagem de risco do Hospital Universitário (HU), na Zona Oeste de São Paulo, está sem funcionar desde a segunda-feira (14), segundo funcionários. Agora, são os pacientes quem fazem uma auto-avaliação antes de ver o médico. Após acabar com a pediatria, a unidade também restringiu o atendimento a adultos no pronto-socorro. 
A triagem é o primeiro contato do paciente com o atendimento hospitalar. É onde acontece a avaliação do estado de saúde, mas, sem profissionais suficientes para tanto, o HU improvisou e imprimiu um panfleto informativo para que o próprio paciente defina a gravidade de seu caso. 
A mudança deu aos seguranças do hospital uma nova e improvável função: de avaliadores. Cabe a eles a filtragem dos casos. "Se [o paciente] achar que o caso é muito grave e convencer o segurança, ele é encaminhado para outra porta para entrar e passar pelo médico", explicou a técnico administrativo Bárbara Dellatorre. "O segurança, coitado, fica em uma situação bem ruim", completou. 
A crisa financeira vem causando uma série de cortes no Hospital Universitário, que é vinculado à Universidade de São Paulo (USP). Primeiro, no mês de novembro, a pediatria no pronto-socorro foi suspensa e pegou muitos pais de surpresa. Agora, até o atendimento a adultos está "referenciado". Ou seja, apenas casos de emergência encaminhados por outras unidades de saúde são atendidos. 
“Como não tem profissionais pra atender todos os turnos, eles não conseguem completar a escala e fecharam o pronto-socorro. Então, agora só entra por referenciamento (...) se for casos muito graves, de risco de morte, mesmo", afirma Dellatorre. 
Para o sindicato dos médicos, a redução dos atendimentos é justamente um reflexo da falta de funcionários. De acordo com eles, o plano de demissão voluntária do hospital levou à perda de 20% do pessoal, fechou 25% dos leitos, e superlotou a emergência. Para pior, ainda segundo a junta, profissionais seguem pedindo demissão a cada semana.

Autor: Jacqueline Brazil

Fonte: G1