MS: Fígado é transplantado em engenheira que teve complicações pela febre amarela

09/01/2018 | 08:58

 

Doadora foi jovem de 16 anos, que morreu em Dourados após ter sido encontrada desacordada com sinais de espancamento em Fátima do Sul. 
O fígado de uma adolescente de 16 anos, que morreu em Dourados no fim do ano passado, foi transplantado na engenheira de 27 anos, que teve complicações por conta da febre amarela, em São Paulo. Segundo o último boletim médico do hospital das Clínicas, onde foi feito a cirurgia, o estado de saúde da receptora ainda é considerado grave, mas estável e ela segue em coma. 
A doadora do órgão, segundo a Central Estadual de Transplantes, foi Franciely Ferreira de Freitas. A jovem morava em Rio Brilhante, mas estava a passeio na casa da avó, em Fátima do Sul, onde foi encontrada caída, inconsciente e com sinais de espancamento no dia 22 de dezembro do ano passado. Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, foi encaminhada para o Hospital da Vida, em Dourados, onde teve morte encefálica, no dia 28 de dezembro. 
Após a autorização da família, os órgãos foram captados entre a noite do dia 29 e a madrugada do dia 30, no próprio Hospital da Vida. Além do fígado que foi levado para São Paulo, o rim da jovem seguiu para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o coração para Brasília e as córneas para um transplante em Campo Grande. 
A dona de casa Márcia dos Anjos Caldeira acompanhou os últimos momentos de vida da prima e recorda que quando surgiu a oportunidade da doação dos órgãos que a família decidiu fazer o bem para outras pessoas. “Foi minha mãe que sugeriu. Foi ela quem disse, vamos doar os órgãos dela para salvar outras vida. Foi então que aceitamos fazer a doação”, recorda. 
Esperança para vítima da febre amarela 
A engenheira que recebeu o fígado da jovem sul-mato-grossense está entre os três casos de febre amarela confirmados em São Paulo. As outras duas pessoas que contraíram a doença no estado morreram. Ela esteve na região de Mairiporã, uma das regiões com maior número de casos suspeitos na Grande São Paulo. 
Antes de ir, ela chegou a ser avisada pela família da necessidade de tomar a vacina contra a doença, mas ela não quis. Acabou sendo picada por um mosquito contaminado e desenvolveu uma infecção muito grave no fígado, uma hepatite muito forte. No Hospital das Clínicas de São Paulo, ela foi submetida ao transplante de fígado, recebendo o órgão da jovem Franciely. 
Foi o primeiro transplante de fígado de que se tem notícia feito exclusivamente para tratar um caso de febre amarela e se tornou uma esperança para quadros mais graves provocados pela doença. A cirurgia foi bem-sucedida, mas o caso dele ainda segue muito grave. 
"Ainda é precoce para dizer, mas ela já saiu da situação crítica em que estava. Como nunca foi feito nenhum caso até agora no mundo, a evolução daqui para frente, com certeza, vai ser muito importante", conta a infectologista Alice Song. Dependendo da reação da paciente, o transplante de fígado pode passar a ser adotado como uma forma de tratamento da doença. 

Fonte: (G1)