Maior acesso à terapia-alvo

09/02/2018 | 09:58

 

Estima-se que, até 2029, o câncer supere as doenças cardíacas e se torne a principal causa de morte no País. Apesar dos diversos avanços no tratamento, a mortalidade por alguns tipos de câncer, como os de pulmão, continua elevada. O diagnóstico tardio e a falta de acesso às terapias inovadoras contribuem para a alta mortalidade por este tipo de câncer. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atualizou, em janeiro, seu Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, incluindo 18 novos procedimentos, entre exames, terapias e cirurgias. A lista, revisada a cada dois anos, traz a relação mínima de tratamentos que devem ser oferecidos pelas operadoras de planos de saúde, incorporando novas tecnologias. Neste ano, foi inserida uma terapia-alvo, a afatinibe, indicada para o tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células com mutação. O câncer de pulmão é o tipo de tumor que mais mata no Brasil e no mundo, sendo responsável por 18,2% de todas as mortes por câncer. Assim sendo, a disponibilização da afatinibe pela ANS é uma vitória de pacientes e de médicos junto aos órgãos responsáveis, e representa um marco no tratamento da doença em nosso país, pois aumenta as alternativas de tratamento para muitas pessoas com o adenocarcinoma com mutação do EGFR. Vale frisar que é importante ter atenção especial aos sintomas do câncer de pulmão, que podem se assemelhar aos de uma gripe que não melhora (falta de ar, emagrecimento, tosse, entre outros). O mais indicado é que, ao persistirem esses sintomas por mais de três dias, a pessoa procure orientação médica. Soma-se a isso a importância do diagnóstico do subtipo. O câncer de pulmão possui muitos tipos, e o paciente deve sempre passar por testes para iniciar o tratamento mais adequado. Novidades como a inclusão desta terapia no rol da ANS devem ser celebradas. Dessa forma, poderemos proporcionar aos pacientes uma expectativa maior no sucesso do tratamento. Oncologista e diretor do Hospital do Câncer Mãe de Deus (Porto Alegre).  

Fonte: (Jornal do Comércio)