A importância da medicina de precisão

04/09/2018 | 09:06

Prática possibilita tratamentos mais eficazes 


Há algum tempo esta Folha publica artigos sobre medicina personalizada e de precisão (MPP). O que evidencia que o assunto está em pauta e necessita de maiores esclarecimentos e discussões pela sociedade. 
A evolução das pesquisas básicas em ciências da vida deve culminar em inovações científicas na prática clínica. A MPP é uma consequência dessa transformação. Ficou em evidência em 2015, quando o então presidente dos EUA, Barack Obama, lançou a Precision Medicine Initiative, buscando revolucionar a prática médica conectando genética, ambiente e estilo de vida de uma pessoa com o Big Data na gestão de saúde. 
A MPP já é uma prática médica difundida nos mais importantes centros médicos do mundo. Porém, a implementação de novas metodologias que incluam os conceitos da MPP, como testes genômicos, diagnósticos moleculares e terapias-alvo, ainda é um desafio para a educação e prática médica. 
A ABMPP (Associação Brasileira de Medicina Personalizada e Precisão), entidade sem fins lucrativos, foi criada com o propósito de estimular médicos e estudantes de medicina a terem melhor compreensão dos conceitos da MPP e integrá-los em sua prática médica, orientando suas decisões clínicas. 
A MPP prevê a suscetibilidade às doenças pelo histórico e perfil genético único do indivíduo. Recomenda medidas de prevenção, ajustando, por exemplo, sono, dieta, práticas desportivas e a realização de exames específicos para detecção precoce da enfermidade e evitar sua progressão, trazendo diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes para a tomada de decisões e intervenções médicas. As chances de cura aumentam significativamente quanto mais precoce for o diagnóstico, gerando custo menor pela ausência de complicações. 
A MPP avança em várias especialidades como cardiologia, imunologia, infectologia, nutrição, oncologia, psiquiatria e reumatologia. No entanto, a aquisição desses conhecimentos pelos profissionais de saúde no Brasil se dá essencialmente pelo esforço próprio e frequência a reuniões e intercâmbios científicos. 
A despeito da nossa competência, temos escassos centros médicos e hospitais com equipes que se apresentem formalmente alinhados com a MPP. Desinformação, desconhecimento, custos e as próprias dificuldades ético-legais ainda são impedimentos para que muitos pacientes usufruam esse recurso. 
Pesquisas clínicas financiadas tanto por instituições privadas como pelas públicas cumprem, em parte, a inclusão democrática de pacientes em tratamentos mais eficazes ou oferecem novas possibilidades terapêuticas para aqueles que esgotam o arsenal conhecido. 
Precisamos que a MPP seja inserida no rol de atividades dos médicos, governos e das seguradoras. Convidamos toda a sociedade a se engajar nessa causa para que possamos estabelecer uma parceria entre instituições e pessoas, unindo ciência e tecnologia e buscando que o sofrimento da dor humana seja mitigado e que o paciente adquira maior qualidade de vida, êxito e cura de suas mazelas.  

Fonte: (Rubens Harb Bollos - Folha de S.Paulo)