Notícia 13/12/2018 10:03

Mercosul: Saúde e mudanças climáticas

  Ministros do Mercosul se comprometem a priorizar saúde em adaptação às mudanças climáticas 

 Ministros da Saúde do Mercosul e de Estados associados assinaram no fim de novembro (23) uma declaração para colocar a saúde à frente e no centro dos planos nacionais de adaptação às mudanças climáticas. 
 Essa medida tem o objetivo de assegurar que os sistemas de saúde se tornem resilientes a essas mudanças e que a prevenção e a promoção da saúde estejam totalmente integradas aos serviços de informação sobre temas climáticos, de acordo com as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). 
 A mudança climática foi considerada como “a maior ameaça mundial à saúde do século 21”. De fato, o clima pode afetar a saúde de várias formas, inclusive por condições meteorológicas extremas e desastres, ondas de calor, contaminação de alimentos e água e aumento de doenças transmitidas por vetores. 
 A declaração foi assinada na Reunião de Ministros da Saúde do Mercosul e Estados Associados, realizada em 23 de novembro em Montevidéu, República Oriental do Uruguai. 
 O encontro ocorreu no momento em que líderes de todo o mundo se reúnem na 24ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP24) em Katowice, Polônia. Lá, os países discutem o plano de implementação do Acordo de Paris de 2015, que visa coordenar os esforços de informação para reduzir o aquecimento global. 
 A mudança climática foi considerada como “a maior ameaça mundial à saúde do século 21”. De fato, o clima pode afetar a saúde de várias formas, inclusive por condições meteorológicas extremas e desastres, ondas de calor, contaminação de alimentos e água e aumento de doenças transmitidas por vetores. 
 As mudanças climáticas também afetam os sistemas socioeconômicos que impactam a saúde pública, inclusive por meio da insegurança alimentar e da água, escassez de recursos e deslocamentos forçados de pessoas. 
 “A mudança climática se torna cada vez mais uma enorme ameaça tanto para os sistemas de saúde quanto para a saúde pública nas Américas”, disse Marcos Espinal, diretor de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS. 
 “É vital que os países da região se comprometam a integrar totalmente a saúde em todos os seus planos de adaptação às mudanças climáticas. A declaração do Mercosul é um ótimo exemplo desse compromisso.” 
 Os impactos da mudança climática na saúde já estão sendo observados em todas as Américas. O aumento da temperatura pode provocar insolação, principalmente em idosos, e aumentar a duração das secas e o risco de incêndios florestais. Nos últimos dois anos, mais de 200 mil pessoas na região foram deslocadas como resultado de incêndios florestais e milhões de dólares foram gastos para reparar danos estruturais. 
 O aumento das temperaturas também amplia o número de tempestades tropicais intensas e inundações que atingem a região, com 335 desastres climáticos que ocorreram entre 2005 e 2014, um avanço de 14% em relação à década anterior. Em 2017, mais de 625 mil pessoas foram afetadas por chuvas intensas no Peru e mais de 270 mortes foram registradas na Colômbia devido a deslizamentos de terra. 
 A mudança climática também deve expandir a distribuição geográfica de doenças transmitidas por vetores, como a malária e a doença de Chagas, além de prolongar a temporada de transmissão. A região também foi afetada por recentes surtos de arboviroses, como zika, chikungunya e febre amarela. 
 A OPAS está trabalhando para apoiar iniciativas e ações regionais sobre mudança climática e saúde, entre outras medidas, mediante a provisão de criação de capacidades e apoio técnico para sistemas de alerta precoce de múltiplos perigos e na preparação de Planos Nacionais de Adaptação às mudanças climáticas de saúde. 
 Além disso, a OPAS está apoiando o setor da saúde a liderar pelo exemplo, por meio de aquisições sustentáveis e da implementação de instalações de assistência à saúde “inteligentes”, que visam aumentar sua resiliência a desastres enquanto reduzem seu impacto ambiental. 
 Declaração do Mercosul 
 A declaração do Mercosul faz com que os Ministérios da Saúde dos países membros se comprometam a liderar o desenvolvimento de estratégias de saúde como elementos essenciais dos Planos Nacionais de Adaptação às Mudanças Climáticas (H-NAPs). 
 Essas estratégias se concentram no reconhecimento das vulnerabilidades à saúde relacionadas às mudanças do clima e propõem maneiras de aumentar a resiliência do sistema de saúde e reduzir as desigualdades. 
 Assinando a declaração, os países também se comprometem a gerar evidências sobre saúde e mudanças climáticas, a fim de desenvolver indicadores, facilitar o intercâmbio de informações e informar tomadas de decisões. 
 Saúde e mudanças climáticas na COP24 
 A COP24 está sendo realizada em Katowice, Polônia, de 3 a 14 de dezembro de 2018. O objetivo principal da conferência é chegar a um consenso sobre como os países devem implementar o Acordo de Paris e relatar seu progresso. 
 Em 5 de dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou seu relatório – COP 24 Special Report: Health and Climate Change. 
 O documento destacou que, embora tenha havido um progresso positivo no combate às questões de saúde e mudanças climáticas, ainda há um longo caminho a percorrer. 
 O relatório fornece uma série de recomendações para os governos sobre como maximizar os benefícios de saúde para combater as mudanças climáticas e evitar os piores impactos sobre a saúde desse desafio global. 

Fonte: (ONUbr)

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