Notícia 03/03/2017

Os planos, o Sus e a saúde

É um tema sensível e complexo, envolve muitos interesses, e o público parece não estar bem informado. Hesitei muito em abordá-lo, pelos motivos citados, mas a recente iniciativa de um hospital de São Luís, que rescindiu contrato de prestação de serviços com um dos grandes planos de saúde do nosso país, - anúncio de meia página de jornal -, foi o empurrão que faltava. 
Inicialmente deve ser dito que o tratamento de saúde é um processo caro. Muito caro. Os medicamentos são, na sua maioria, fabricados com ingredientes importados, produzidos por meio de tecnologias patenteadas em outros países. Desnecessário dizer que eles não chegam até nós gratuitamente ou a baixo custo. Junte-se a isso os impostos, os custos de produção dos fármacos, as despesas de transporte e outros. As farmácias, por outro lado, têm seus investimentos e suas despesas. 
Outra questão é a construção e manutenção de hospitais e clínicas. É assunto complicado. Como tenho dito, não basta colocar vistosos nomes de parentes nas paredes. A complexidade vai desde a arquitetura do prédio até a aquisição, instalação e manutenção de aparelhos, estes, também, muitas vezes, importados. Tudo isso demanda o trabalho de técnicos gabaritados. 
Dificuldade enorme consiste, também, em fazer o empreendimento funcionar bem. Para isso é necessário o envolvimento de profissionais responsáveis e competentes, sob pena de não serem atingidos os objetivos de eficiência e eficácia. Os cuidados de higiene, por exemplo, merecem atenção especial. Gastam-se fortunas com material de limpeza e, muitas vezes, eles não são suficientes. Apesar de todos os cuidados, as infecções podem acontecer. Elas são um perigo real e permanente. É que os agentes infecciosos estão tornando-se resistentes aos antibióticos, e não é à toa que todo bom hospital dispõe, em ação durante as 24 horas do dia, de comissões especialmente constituídas para cuidar desse problema. 
Outra questão grave e muito séria é a remuneração dos profissionais. Os planos de saúde em geral pagam valores irrisórios e utilizam manobras inexplicáveis para atrasar ou escamotear os pagamentos. Não cabe aqui citar nomes, eles devem ter os seus motivos, mas, a título de exemplo aí vai um caso: as consultas médicas, embora devidamente autorizadas por eles, sofrem estranhas glosas (muitas vezes só pagam a metade) e os pagamentos são feitos com atrasos que chegam a três meses ou mais. Muitos médicos, embora já estejamos em fevereiro de 2017, ainda não receberam pelos serviços prestados em novembro de 2016. 
E o SUS? A situação é muitíssimo pior. Um absurdo. O público precisa saber. Certa vez um médico dizia que, embora lhe doesse muito, não ia mais realizar partos pelo SUS no seu hospital. O motivo? Muito simples: o valor recebido não dava para cobrir a despesa com a lavagem da roupa. Outro exemplo, bem recente, é a Santa Casa de Misericórdia, aqui em São Luís, que está quase a fechar as suas portas. Não tem meios para se manter funcionando. 
Outro problema sensível é o miserável salário pago por certas prefeituras aos seus funcionários médicos. É inacreditável, mas os incrédulos podem investigar. Embora algumas delas, do interior do Maranhão, alardeiem bons salários, muitas vezes não pagam ou o fazem com atraso. Tenho um exemplo na família: médica concursada, o seu salário não chega a R$ 3.000,00 (isso mesmo: três mil reais) por mês. Essa a realidade.

Fonte: (ALDIR PENHA COSTA FERREIRA - O Estado do MAranhão)

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